16 minutos de silêncio

A multidão ocupou a estrada. O silêncio sobrepôs-se ao ruído dos automóveis, retidos temporariamente nos acessos àquela parte da cidade. As bicicletas preencheram irregularmente o alcatrão, algumas tombadas, de forma muito simbólica, enquanto asseguravam o espaçamento social entre os presentes. 16 minutos longos e sentidos de silêncio. Um minuto por cada ano de vida da jovem que ali falecera, não fazia ainda uma semana.

O “fim dos atropelamentos na cidade” foi o mote da vigília que a 16 de Julho juntou centenas de pessoas em frente à Biblioteca Nacional, no Campo Grande, em Lisboa. Seis dias antes uma jovem perdeu a vida ao ser atropelada quando atravessava, com a bicicleta pela mão, a passagem de peões que existe naquele local.

Outras cidades do país juntaram-se ao movimento de ciclistas e não ciclistas em homenagem a esta e outras vítimas de atropelamento. “Em Lisboa, Aveiro, Braga, Évora, Faro, Guarda, Mértola, Porto e Santarém, foram muitos os que apelaram à redução da velocidade dos carros nas cidades, ao respeito pelos mais frágeis, que não circulam protegidos por chapa”, noticiou o jornal Público.

Noutro artigo, o mesmo jornal dava conta que Portugal se encontra entre os piores da Europa no que diz respeito à mortalidade de peões no espaço urbano, com 1397 mortes entre 2010 e 2018 (80% dentro de localidades). Tomando como referência um estudo recente do European Transport Safety Council (2020), o país aparece em 5º lugar em 28 estados europeus, no número de peões mortos por milhão de habitantes.

De acordo com dados da Pordata, Lisboa é o concelho com maior número de atropelamentos no país, com 684 casos em 2018.

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